sábado, 9 de abril de 2011

Buraco

É de desespero o momento em que acordo à noite e nada me faz sentido. Frágil, fico perante a fumaça densa da loucura, o pensamento é rápido, se protege. O eu se precipita para fora da cama, fuça em todos os cantinhos para encontrar uma folha em branco. E em letras amadoras faz o que o primeiro poeta fez, faz e dúvida pela mesma razão que o primeiro poeta duvidou. O eu, o lírico, comunga com todos a desgraça universal do homem: de ser o único a saber e mesmo assim nada saber. Pensar à sério sobre isso é profundamente desesperador, por isso entendo a amargura primeira dos poetas. Porque nessa vida, é um pouco tarde o momento em que aprendemos a desfrutar.
Nada.
Sinto uma costura na incompreensão, meu coração assim como o do primeiro aedo fechou o buraco que com seu medo causou no mundo e usando uma liga forte de palavras, fé e comunicação, restabeleceu o comum acreditar descontraído. E nesse momento poesia e poeta dormem enquanto o meu eu, o não lirico, segue sua rotina.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

No vento


No vento,
bato minhas asas
de pássaro
fraco.
No vento,
que me tira
o calor,
adormeço.
Assim,
todas as fúrias
são levadas,
ao vento.
Nesse alento,
me esqueço.
Sou feliz,
pois o vento forte
arranca lágrimas.
Águas do meu mar
a transbordar de mim.
Não faço sentido.
Me faço sentido,
no vento.
No vento
sofro erosão,
envelheço.
No vento.
Sheyla

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Falsa Alegria

A luz do fim do túnel ainda não era a saída.
Era uma vela que sem mais porque se acendeu
E não sei quem apagou.
O sorriso foi despedaçado,
A certeza caducou
E voltei assim perdido
Para a insegurança de quem sou.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Imperfeito

Se você pudesse me beijar
Seria mais que literatura,
Seria mais que, mais que perfeito.
Se você pudesse me abraçar
Seria mais que, mais que...
Loucura!
Seria letra música,
Seria alegria instantânea.
Pena você, pena ela ...
pena nós, pena de mim.
Sou sempre samba-canção
nada de bossa, nada de beijo
sempre, sempre, sempre imperfeito.
Lá vou eu, caminhando,
sorrindo de doente,
de esperança tola persistente.
Se você não fosse, se ela
se nós, pena de mim.
Seria...
Loucura!
Se você vier,
se ela não vir, tortura para mim
Seria errado, mais tão humano.
Seria bossa nova, seria mais que, mais que
Faça verão!
Faça verão!
Se você, se ela
Não, não..
Sim, sim!!
Nunca vi tanta agonia, tanta alegria.
Seria de se não fosse a.
tudo no imperfeito!
Só falta agora
é que seja breve
que passe!
Passe imperfeito.
Venha presente!



Colchão

Sonhar, sonhar

sonho balão,

de ar e de voar.

Sonhar, sonhar

sonho fujão,

dá de sumir ao acordar.

Sonhar, sonhar

sonho de não,

de tremer e de chorar.

Sonhar, sonhar

Sonho pião,

de virar e enrolar.

Sonhar, sonhar...

sonho de acordar,

sonho de virar,

sonho de dormir!

Balão , fujão, colchão,

pião, ETA sonho bão!


Sheyla Coelho

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Grande Teimosia

"O homem vive a facilitar as coisas mais teima em complicar-se!
Caríssimo homem, se liga daí , que eu me torço daqui.
Para que internet, cabos, nano-tecnologia se me vens rezar por depressão e xenofobia!"
Foi meio assim que entendi, agora, se era Deus a ajudar ou o Diabo a confundir, sem resposta hei de ficar!

Sheyla Coelho

sábado, 28 de agosto de 2010

Meninos armados

A pena destreinada do poeta paulistano
não consegue mais escrever sem plano.
O poeta olha à rua e não concretiza.

A pena do poeta paulistano sufoca o verso.
Ao ritmo dos garotos sujos do centro com suas facas à mostra,
O poeta olha à rua e se "depena".

Sofre o coração boêmio do poeta,
Falta-lhe a esperança no verbo.
O poeta fecha os olhos à rua.

Pena de pena a pena
Largada a mercê na vasta mesa.
Não há palavra escrita à revolução necessária.
O poeta retorna a olhar à rua sem saber o que lhe valha a pena.


Sheyla Coelho