sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ser domingo

Ver a vida passar,
entender cada sentimento,
saber o que não fazer,
se despedir,
e ler as memórias de Nava.

Essa não sou eu.
Essa é uma outra,
Alguém que anda chegando...
aos poucos, pequena.
Calma?

Uma que não espera tanto,
Uma que chega, chega
e está sempre chegando.
Quando há fogo, despeito,
pressa!Ela apaga, some
e só depois volta.

ela sou eu no domingo,
ela é o meu domingo.




sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quem dera

Quem dera
que esses revolucionários
revolucionassem.

Ai, se fossem novos
e não cópias falidas.

Quem? Quem?
Quem dirá, quem dera?

Somos todos semi-novos,
todos gastos.

Quem dera
que "os" pensadores
não pensassem,
tanto.

sábado, 9 de abril de 2011

Buraco

É de desespero o momento em que acordo à noite e nada me faz sentido. Frágil, fico perante a fumaça densa da loucura, o pensamento é rápido, se protege. O eu se precipita para fora da cama, fuça em todos os cantinhos para encontrar uma folha em branco. E em letras amadoras faz o que o primeiro poeta fez, faz e dúvida pela mesma razão que o primeiro poeta duvidou. O eu, o lírico, comunga com todos a desgraça universal do homem: de ser o único a saber e mesmo assim nada saber. Pensar à sério sobre isso é profundamente desesperador, por isso entendo a amargura primeira dos poetas. Porque nessa vida, é um pouco tarde o momento em que aprendemos a desfrutar.
Nada.
Sinto uma costura na incompreensão, meu coração assim como o do primeiro aedo fechou o buraco que com seu medo causou no mundo e usando uma liga forte de palavras, fé e comunicação, restabeleceu o comum acreditar descontraído. E nesse momento poesia e poeta dormem enquanto o meu eu, o não lirico, segue sua rotina.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

No vento


No vento,
bato minhas asas
de pássaro
fraco.
No vento,
que me tira
o calor,
adormeço.
Assim,
todas as fúrias
são levadas,
ao vento.
Nesse alento,
me esqueço.
Sou feliz,
pois o vento forte
arranca lágrimas.
Águas do meu mar
a transbordar de mim.
Não faço sentido.
Me faço sentido,
no vento.
No vento
sofro erosão,
envelheço.
No vento.
Sheyla

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Falsa Alegria

A luz do fim do túnel ainda não era a saída.
Era uma vela que sem mais porque se acendeu
E não sei quem apagou.
O sorriso foi despedaçado,
A certeza caducou
E voltei assim perdido
Para a insegurança de quem sou.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Imperfeito

Se você pudesse me beijar
Seria mais que literatura,
Seria mais que, mais que perfeito.
Se você pudesse me abraçar
Seria mais que, mais que...
Loucura!
Seria letra música,
Seria alegria instantânea.
Pena você, pena ela ...
pena nós, pena de mim.
Sou sempre samba-canção
nada de bossa, nada de beijo
sempre, sempre, sempre imperfeito.
Lá vou eu, caminhando,
sorrindo de doente,
de esperança tola persistente.
Se você não fosse, se ela
se nós, pena de mim.
Seria...
Loucura!
Se você vier,
se ela não vir, tortura para mim
Seria errado, mais tão humano.
Seria bossa nova, seria mais que, mais que
Faça verão!
Faça verão!
Se você, se ela
Não, não..
Sim, sim!!
Nunca vi tanta agonia, tanta alegria.
Seria de se não fosse a.
tudo no imperfeito!
Só falta agora
é que seja breve
que passe!
Passe imperfeito.
Venha presente!



Colchão

Sonhar, sonhar

sonho balão,

de ar e de voar.

Sonhar, sonhar

sonho fujão,

dá de sumir ao acordar.

Sonhar, sonhar

sonho de não,

de tremer e de chorar.

Sonhar, sonhar

Sonho pião,

de virar e enrolar.

Sonhar, sonhar...

sonho de acordar,

sonho de virar,

sonho de dormir!

Balão , fujão, colchão,

pião, ETA sonho bão!


Sheyla Coelho