segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

No vento


No vento,
bato minhas asas
de pássaro
fraco.
No vento,
que me tira
o calor,
adormeço.
Assim,
todas as fúrias
são levadas,
ao vento.
Nesse alento,
me esqueço.
Sou feliz,
pois o vento forte
arranca lágrimas.
Águas do meu mar
a transbordar de mim.
Não faço sentido.
Me faço sentido,
no vento.
No vento
sofro erosão,
envelheço.
No vento.
Sheyla

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Falsa Alegria

A luz do fim do túnel ainda não era a saída.
Era uma vela que sem mais porque se acendeu
E não sei quem apagou.
O sorriso foi despedaçado,
A certeza caducou
E voltei assim perdido
Para a insegurança de quem sou.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Imperfeito

Se você pudesse me beijar
Seria mais que literatura,
Seria mais que, mais que perfeito.
Se você pudesse me abraçar
Seria mais que, mais que...
Loucura!
Seria letra música,
Seria alegria instantânea.
Pena você, pena ela ...
pena nós, pena de mim.
Sou sempre samba-canção
nada de bossa, nada de beijo
sempre, sempre, sempre imperfeito.
Lá vou eu, caminhando,
sorrindo de doente,
de esperança tola persistente.
Se você não fosse, se ela
se nós, pena de mim.
Seria...
Loucura!
Se você vier,
se ela não vir, tortura para mim
Seria errado, mais tão humano.
Seria bossa nova, seria mais que, mais que
Faça verão!
Faça verão!
Se você, se ela
Não, não..
Sim, sim!!
Nunca vi tanta agonia, tanta alegria.
Seria de se não fosse a.
tudo no imperfeito!
Só falta agora
é que seja breve
que passe!
Passe imperfeito.
Venha presente!



Colchão

Sonhar, sonhar

sonho balão,

de ar e de voar.

Sonhar, sonhar

sonho fujão,

dá de sumir ao acordar.

Sonhar, sonhar

sonho de não,

de tremer e de chorar.

Sonhar, sonhar

Sonho pião,

de virar e enrolar.

Sonhar, sonhar...

sonho de acordar,

sonho de virar,

sonho de dormir!

Balão , fujão, colchão,

pião, ETA sonho bão!


Sheyla Coelho

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Grande Teimosia

"O homem vive a facilitar as coisas mais teima em complicar-se!
Caríssimo homem, se liga daí , que eu me torço daqui.
Para que internet, cabos, nano-tecnologia se me vens rezar por depressão e xenofobia!"
Foi meio assim que entendi, agora, se era Deus a ajudar ou o Diabo a confundir, sem resposta hei de ficar!

Sheyla Coelho

sábado, 28 de agosto de 2010

Meninos armados

A pena destreinada do poeta paulistano
não consegue mais escrever sem plano.
O poeta olha à rua e não concretiza.

A pena do poeta paulistano sufoca o verso.
Ao ritmo dos garotos sujos do centro com suas facas à mostra,
O poeta olha à rua e se "depena".

Sofre o coração boêmio do poeta,
Falta-lhe a esperança no verbo.
O poeta fecha os olhos à rua.

Pena de pena a pena
Largada a mercê na vasta mesa.
Não há palavra escrita à revolução necessária.
O poeta retorna a olhar à rua sem saber o que lhe valha a pena.


Sheyla Coelho

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Aonde você foi?

O que aconteceu? Pode ser qualquer coisa... Mas eu não me lembro. Quando foi que eu me esqueci? Onde foi que eu deixei você ? Na gaveta da cozinha? Não, eu não faria isso, lá é gelado. Como você é era mesmo? Engraçado, isso! Lembro-me de uma piada, quer dizer, lembro que eu sorri... não sei se era piada. Talvez no meu bolso, é acho que sim ...Eu gostaria de ter você no bolso, assim, toda vez que eu fosse procurar algo ou sentisse frio eu acharia você e ficaria feliz..Poxa é isso! Coloquei o casaco para lavar e você deve ter desbotado. Então, dias depois não te reconheci porque você não tinha cor e eu estava tão triste de ter te perdido que talvez eu mesma tenha te jogado fora. Me desculpa se não fui cuidadosa, ao te colocar no bolso fui pretensiosa. Eu não queria te sufocar no meu bolso nem te dar um banho de água fria ao não superar sua expectativa. É tão bom ter alguém por perto. Eu só queria você o bastante para não saber ouvir se você também me queria.